
New Order Editora / Taverna Editora
E se o relógio fosse o seu inimigo mais cruel? Não o monstro na esquina, não o saqueador armado, não o cristal que corrói corpo e mente. O tempo. Em Ashes of Tomorrow RPG, cada minuto real que passa na sua mesa é um minuto que o mundo usa para piorar. Você não tem o luxo de deliberar por dez minutos sobre qual porta abrir. O cronômetro está correndo, e quando ele apita, a realidade se dobra.
Um apocalipse onde a própria realidade se quebrou
Um meteoro caiu e levou mais da metade da humanidade em horas. Isso foi o de menos. O que veio depois, os abalos, a radiação e principalmente o Ótrio, um cristal azul que se comporta como fungo vivo, não destruiu só as cidades: rachou a estrutura do real. Dois anos depois do Dia do Impacto, o norte do planeta sobrevive em condados dominados por gangues e por corporações com interesses sombrios, enquanto o sul virou rumor. Você é um sobrevivente nesse mundo cinzento, e o Ótrio te oferece um pacto tentador. Consuma e fique mais forte na hora exata em que precisa. Mas cada dose marca seu personagem de forma permanente, e o caminho do poder pelo poder leva à degradação. A escolha de se corromper para sobreviver não é tema de fundo. É a mecânica central do jogo.
Um sistema que existe para quebrar seus planos
Ashes of Tomorrow roda no padrão Powered by the Apocalypse, narrativo e enxuto: na maioria das vezes você rola 3d6, soma um dos quatro atributos (Corpo, Sobrevivência, Espírito, Influência) e lê o resultado em três faixas, falha, sucesso parcial ou sucesso pleno. O que torna esse sistema diferente de qualquer outro PbtA é a Corrida Contra o Tempo. A cada 60 minutos de jogo real, tudo congela e a Narradora sorteia um Evento Temporal de seis tabelas temáticas. Um aliado pode trair você, sua consciência pode trocar de corpo com a de outro jogador, o cenário inteiro pode virar fantasia medieval por uma cena. Some a isso o Medidor de Estresse, que empurra seu personagem rumo ao Último Recurso, uma habilidade devastadora que resolve a cena ao custo de algo terrível. Você nunca joga relaxado. É exatamente esse o ponto.
Seis Semblantes, e nenhum deles é só uma classe
Na hora de criar seu personagem, você escolhe um Semblante: Artista, Golem, Herdeiro, Sábio, Sobrevivente ou Viajante. Eles funcionam como classes, mas dizem menos sobre o que você faz e mais sobre quem você é e como as pessoas te enxergam neste fim de mundo. O Artista esconde segredos atrás da máscara que performa. O Sábio troca poder bruto por um arsenal de feitiços. O Golem carrega o peso de não ser mais inteiramente humano. Cada Semblante traz movimentos próprios, um Último Recurso exclusivo e vínculos que amarram seu personagem aos demais antes mesmo da primeira cena. E sim, existe magia no fim do mundo: teleporte, fogo, manipulação dos elementos. Mas o sobrenatural sempre cobra seu preço.
Para quem é Ashes of Tomorrow
Se a sua mesa ama tensão constante, decisões sob pressão e um sistema que nunca deixa a história estagnar, este RPG foi feito para vocês. É um jogo brasileiro, pensado para grupos que preferem reviravoltas a planilhas e que topam encarar dilemas morais de verdade. Iniciantes entram fácil pela leveza do PbtA. Veteranos vão reconhecer no relógio e no Ótrio uma camada de pressão que poucos sistemas ousam colocar na mesa.